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DIA INTERNACIONAL DA SAÚDE
Henrique peixoto*


Chegamos a mais um Dia Mundial da Saúde, infelizmente, sem muito a comemorar. A previsível e anunciada epidemia de dengue assola novamente a população - inclusive com uma mortalidade muito acima da esperada numa grande cidade como o Rio de Janeiro. A gravidade dos casos hemorrágicos leva a internações freqüentes e, além de inúmeras mortes lamentáveis e evitáveis, implica também em custos financeiros elevados que serão pagos pela população. Acusações entre as autoridades do setor da saúde nos remetem a uma discussão de 1986/87, quando tivemos a primeira epidemia de dengue na cidade: o mosquito é federal, estadual ou municipal? De quem é a responsabilidade? O Rio de Janeiro, com a superposição de equipamentos públicos herdada dos tempos de capital da república, revela de forma mais clara a omissão de algumas autoridades (in)competentes das três esferas de governo: municipal, estadual e federal.

Enquanto isso, hospitais de campanha são montados, médicos são importados de outros estados e os doentes, enfraquecidos, aguardam a boa sorte de serem atendidos. Na Internet, inúmeras receitas milagrosas são veiculadas: complexos homeopáticos, infusões de cravos de defunto, sopas de inhame e outras fórmulas mágicas circulam, aumentando o medo das pessoas que viram se esgotarem os estoques de repelentes nas farmácias e mercados.

Merecemos isso? Uma população que toda vez que é instada a participar, o faz de forma admirável! Seja nos eventos esportivos, como Copas do Mundo de futebol ou Olimpíadas, seja no racionamento de energia, como ficou patente à época da ameaça de apagão! O crescimento do mosquito Aedes Aegypti já foi controlado em diversas outras ocasiões. Basta planejamento, coordenação das ações e vontade política. Será que não podemos ser tratados de forma mais cuidadosa pelas autoridades? Ou será que estas ainda não descobriram que prevenção é melhor do que tratamento? É mais econômico em todos os sentidos: se gasta menos dinheiro, perdem-se menos vidas... Agora mesmo, lamentavelmente, as agências internacionais de viagem contra-indicam o turismo em nossa cidade, trazendo enorme prejuízo. A justificativa? Além da crônica violência, agora temos uma epidemia de dengue com alta mortalidade!

Médicos Solidários vem apostando há muito tempo em ações educativas. Além do atendimento à saúde gratuito e de qualidade que oferecemos, também trabalhamos com ações preventivas. Isso por acreditarmos que com informação e educação podemos ter uma saúde pública realmente melhor. E é o que desejamos! E esperamos que no Dia Mundial da Saúde de 2009 tenhamos algo a comemorar!



 


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