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DIA NACIONAL DA SAÚDE
Henrique Peixoto*
No dia 5 de agosto comemorou-se o Dia Nacional da Saúde. A ONG Médicos Solidários, cuja missão é “fomentar a universalidade do direito à saúde em seu sentido mais amplo, por meio do estímulo ao voluntariado com o fortalecimento de princípios como solidariedade, dignidade e inclusão social” não poderia deixar passar a data sem se manifestar. E, lamentavelmente, em termos de saúde pública, não temos muito a comemorar. Não queremos ser tão somente críticos e negar os avanços conquistados na área nos últimos anos. No entanto, indiscutivelmente, os passos dados à frente foram demasiado tímidos diante da enormidade dos desafios a enfrentar. A própria existência e o sucesso de nossa organização só são uma realidade pela absurda dificuldade que grande parte da população pobre encontra para ter acesso aos equipamentos públicos da área da saúde. Quando nosso país tiver uma saúde pública decente, universal, realmente democrática, projetos como o Saúde Solidária não serão mais necessários. Enquanto não chegamos lá, continuaremos trabalhando para realizar nossa missão. Que é extremamente difícil!
Quero aproveitar a data para compartilhar, neste espaço com os colegas da rede e com todos os amigos que acreditam e apóiam o nosso trabalho, uma angústia minha que, sem dúvida, é de todos os outros profissionais de saúde. O que podemos fazer para minorar o sofrimento dos que nos procuram? Quanto podemos ajudá-los? O que realmente depende do profissional de saúde e o que independe de nós por estar fora de nossa área de atuação sem, no entanto, deixar de comprometer severamente a saúde das pessoas?
Há dias atendi em meu consultório uma mulher que se queixava de insônia. Já havia sido medicada por outro profissional e não obtivera melhora. Fazia, portanto, outra tentativa. Conversamos e ela me disse que passara a não mais dormir depois que um traficante ocupara a laje da sua casa, tendo levado para lá, inclusive, uma cama para seu maior conforto. E também televisão, ligada a um “gato” puxado do seu relógio. E ela chorava e se queixava que seu marido não fazia nada, que eles tinham um casal de filhos adolescentes e ela não dormia e não se conformava e eu, angustiava-me com minha impotência, com nossa impotência e não sabia o que lhe falar e muito menos o que lhe prescrever. Não aprendi nos livros, nem na faculdade, nem qualquer colega saberia me dizer o que fazer. E eu só pude ouvi-la. E isto era muito pouco para resolver seu problema.
Cotidianamente os profissionais de saúde esbarram em limites extrínsecos ao seu trabalho e que lhes impedem de cumprir suas missões. Todos nós já passamos por situações semelhantes e já passamos noites insones por causa disto. Cabe, portanto, uma reflexão: é bastante o que fazemos? Não sei, não tenho resposta para esta e nem para muitas outras questões. Só sei que, neste momento, não temos muito para comemorar. No entanto, um pequeno brinde gostaria de fazer: Médicos Solidários vem se fortalecendo e, além do atendimento de qualidade prestado a pessoas desfavorecidas socialmente, vem se tornando um espaço de discussão em que os profissionais voluntários envolvidos na organização buscam alternativas que nos permitam futuramente comemorar esta data. Sozinhos, tudo é mais difícil. Juntos, podemos sempre mais. Assim, nesta data, quero fazer um brinde a Médicos Solidários e um agradecimento especial a dois médicos que já passaram dos 80 anos e poderiam estar tranqüilamente curtindo os netos indiferentes às dores do mundo: dra Clarice e dr Nazareno fazem parte de nossa rede. Profissionais com este coração de amador são o maior bem que uma organização pode ter. E em nome de nossa organização quero falar no orgulho de estarmos juntos nesta estrada. Tim-tim!
Por
* Henrique Peixoto, Secretário executivo Medsol e médico homeopata
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Médicos Solidários vai ao programa do Serginho Grossman
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