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OS MÉDICOS E O MEIO AMBIENTE
Ulisses E.C.Confalonieri*


Embora a questão ambiental, enquanto movimento social, tenha ganhado visibilidade e importância nas últimas décadas, especialmente após a Rio 92, ela não tem merecido a devida atenção dos médicos, enquanto profissionais. Eventualmente os médicos se envolvem no tema enquanto cidadãos, preocupados com a qualidade de vida no local de moradia e trabalho. Mas as questões maiores, que afetam o mundo globalmente e ameaçam a sustentabilidade dos sistemas de suporte da vida (poluição, alterações do clima, extinção de espécies, redução da camada de ozônio) não têm feito parte da preocupação médica.

Há pelo menos duas fortes razões para o envolvimento dos médicos com os problemas ambientais: a primeira é que muitas das condições mórbidas vistas hoje pelos médicos em consultórios e hospitais são decorrentes de fatores ambientais que afetam a saúde, tais como poluição atmosférica em zonas urbanas, determinando o desenvolvimento e agravamento de condições respiratórias; doenças gastroentéricas resultantes da má qualidade da água; problemas reprodutivos associados a poluentes orgânicos persistentes e vários outros aspectos dos ambientes degradados. E sabemos que os problemas globais surgem pela reunião de milhões de agressões ao ambiente feitas localmente.

A Organização Mundial da Saúde estimou que pelo menos 25% da carga global de doenças na população mundial é devida diretamente à degradação do meio ambiente.

O segundo fator é a posição social do médico, que lhe confere um papel importante como educador de seus pacientes sendo, freqüentemente, uma figura carismática, por razões que conhecemos, capaz de influenciar fortemente a opinião pública. Assim sendo, na sua atuação profissional, se ele tem a possibilidade – e a obrigação – de orientar os pacientes sobre hábitos que visem preservar e promover a sua saúde individual, também deve ser capaz de aumentar a consciência dos pacientes, enquanto cidadãos e cidadãs, visando a preservação da saúde ambiental. Para isto, no entanto, ele deve preparar-se conhecendo os desafios e soluções para os problemas ambientais que ameaçam a todos. Embora muito ainda haja para ser feito, um importante passo foi dado com a fundação, em 1990, da Sociedade Internacional de Médicos em Defesa do Meio Ambiente, que atualmente conta com entidades nacionais filiadas em dezenas de países.

Por
* Ulisses E.C.Confalonieri, médico solidário e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz

 


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